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sábado, 2 de junho de 2012

Desmatamento na Restinga

Devastação: 
Enquanto o mundo inteiro comemora, no dia 5 de junho de 2012, o Dia Internacional do Meio Ambiente...

Desmatamento:
Enquanto artistas, ecologistas, eco-educadores e povo em geral pressionam pelo veto presidencial ao novo Código Florestal Brasileiro, recentemente aprovado no Congresso Nacional, porque ele permite a anistia a quem desmatou...

Desrespeito:
A Assufrgs (Sindicato dos servidores da UFRGS) desmata uma área em sua sede campestre na zona sul de Porto Alegre...

Destruição:
Abandona árvores tombadas dentro de um açude, desperdiçando a madeira extraída da natureza e poluindo o recurso hídrico...

Descaso:
No maior descaso já visto com o ambiente em toda história da entidade. 

Degradação:
É triste ver uma entidade sindical, que já foi combativa, democrática, engajada nas lutas dos trabalhadores e nas causas que propunham o avanço da sociedade para um mundo melhor...

Despreparo:
É lamentável ver uma entidade, que deveria lutar pela defesa do meio-ambiente - como um dos fatores indispensáveis na conquista de uma sociedade melhor - contribuir para a degradação do seu próprio ambiente.
Em toda história da Assufrgs, nunca se viu tamanho descaso.

Por outro lado, na Escola Alberto Pasqualini, o Dia Internacional do Meio Ambiente é marcado com uma intervenção artística feita pelos alunos do LIAU ( Laboratório de Inteligência Ambiental e Urbana) coordenado pelas professoras Ana Amália e Édna)


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Festa Junina: dissociação entre conhecimento e prática

Quem chegasse no final da festa junina da escola neste semestre não acreditaria que nela possa existir algum projeto de educação ambiental. O pátio do sagão estava tomado por copos plásticos, cascas de pinhão, pinhões inteiros e muito lixo.
A partir dessa constatação, foi retomado o assunto em sala de aula por diversos professores, desde A10 até C30. Muitos alunos relataram suas impressões e sua participação no que aconteceu. Em algumas turmas os alunos produziram textos analisando a festa e as causas daquele comportamento. Em C10 trabalhei com uma turma e propus que escrevessem bilhetes para serem lidos em outras turmas, colocando sua avaliação e sugestões para os colegas. Em C30 utilizamos os blogs para mandar os mesmos recados. A leitura dessas produções mostra que nem tudo está perdido. Ao menos na teoria, tanto os alunos de C10, quanto os de C30 reconhecem que não deveriam ter colocado lixo no chão nem atirar pinhões uns nos outros.
Cabe à direção e aos professores analisarem suas responsabilidades, verificando a ausência de uma organização que propusesse atividades e diversão para as crianças e adolescentes que estavam participando de uma festa junina onde não havia brincadeiras e uma estrutura que organizasse a participaçõa dos alunos em atividades relacionadas ao evento.
Vale a pena ler as produções dos alunos nos seus blogs.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Projeto O Grande Deserto é o tema de estudo na semana do meio ambiente

A Semana do Meio Ambiente levou-nos a refletir sobre o futuro de nosso planeta e as mudanças climáticas pelas quais estamos passando.
O conto "O Grande Deserto", publicado neste blog, foi lido e debatido pelos educandos de C30. A partir dele, eles construíram seus textos com suas opiniões sobre o que estamos fazendo com mundo em que vivemos. Essa era uma das preocupações do cientista José Coiro, autor do texto que estudamos, quando a preocupação com a ecologia ainda era assunto de ficção científica. Hoje, as alterações climáticas e os efeitos da poluição e do desmatamento já são uma realidade bem presente e nossa conscientização é inadiável. Para quem gosta do tema e para que gosta de ficção científica, recomendo a leitura do conto do Coiro, bem como das produções dos educandos de C30 do Pasqualini.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Grande Deserto

Este é um conto de ficção científica do biólogo José Rafael Rosito Coiro, publicado pela editora Tchê! em 1996, no livro "O hidronauta".
Este conto está sendo transcrito aqui com autorização da família do escritor, por ser uma obra que nos leva a pensar em vários aspectos de nossa vida, nossas relações com o ambiente e com outos seres humanos. Fica aqui uma homenagem a seu autor, com quem convivi e muito aprendi durante toda minha formação universitária. O Coiro foi um inovador, pois nos anos 60, como professor de biologia no Colégio Júlio de Castilhos, trabalhava o conteúdo de citologia levando seus alunos a produzir histórias em quadrinhos.
Em 2009 vamos continuar o projeto Meu Ambiente e esse texo será um dos que vamos estudar.
Boa leitura.

O Grande Deserto

A mulher, no outro compartimento, afastada do marido e do filho, refazia a programação do seu robô doméstico. Ela desejava a limpeza do jardim de grama artificial, pois existiam muitas embalagens descartáveis jogadas no chão desde a noite anterior.
O marido organizara uma reunião com o objetivo de criar o Comitê que iria até o Grande Conselho reivindicar direitos fundamentais, como o de poder opinar sobre a escolha de seus representantes, obter igualdade com as mulheres nas atividades profissionais e ter o direito de escolher o destino dos filhos: se eles seriam operários ou dirigentes.
A maior revolta da comunidade consistia na determinação do Grande Conselho de enviar um Engenheiro Genético até seus domos e administrar drogas que transformariam as aptidões natas de seus filhos, cuidados por eles com carinho extremo nas incubadoras.
O homem e a criança despediram-se da mulher e saíram do domo, cada um com seu reservatório de oxigênio fixado à cintura por uma presilha magnética. De mãos dadas, caminhando lentamente para não sofrerem desgastes desnecessários, entraram no tubo transportador.
- Pai, me mostra o Grande Deserto. O senhor prometeu!
O homem ficou pensativo por alguns instantes e, depois, olhando para a criança, respondeu:
- Filho, que idéia mais absurda. Não tem nada de bonito nele. Vamos olhar a Reserva Verde. Lá você poderá correr sem necessidade do reservatório do oxigênio. Você poderá até tocar em vegetais de verdade.
Em vão, o homem tentava demover o filho. Finalmente, ante a obstinação da criança, contrariado, cedeu. Acomodaram-se no tubo de transporte e, através do intercomunicador, solicitou a parada GD-Zero. No painel apareceram sinais luminosos referentes à programação que estava sendo desenvolvida na CDS (Central de Deslocamentos Subterrâneos). Assim que o tubo transportador venceu a inércia, seus corpos sofreram pressão sobre as poltronas. Ao mesmo tempo, apareceu no écran o valor da taxa de transporte, em números vermelhos. O homem colocou o polegar direito no orifício de identificação digital, para ser descontado de sua cota mensal de deslocamentos.
Antes de saírem do tubo transportador, colocaram suas máscaras sobre o nariz e boca. Através de um comando existente na porção superior do reservatório, liberaram o oxigênio.
Quando saíram do tubo transportador, receberam um impacto. Era a diferença da pressão e luminosidade do ambiente. Seus corpos ficaram parados, seus passos lentos. A vastidão do terreno inóspito que passaram a contemplar, trouxe uma espécie de desânimo para eles. Agora, eles estavam fazendo parte do cenário da antevida, da grande solidão do nada. Pararam e giraram sobre si mesmos.
A vista da cidade era bonita. Todos os domos mostravam suas cúpulas brilhantes e articuladas. Faziam giros intermitentes, para acompanhar o próprio deslocamento solar à procura de mais energia. As vias aéreas estavam movimentadas. Mesmo daquela distância, eles podiam ver os passageiros sendo transportados por aerotrens impulsionados pelo laser. Embora a atmosfera fosse extremamente rarefeita, percebiam os ruídos da cidade. Os dois formavam uma minúscula ilha viva, cercada pelo Grande Deserto.
- Pai, o que é aquela cúpula esverdeada entre os domos?
- Aquilo – respondeu o pai – é uma construção muito antiga, que servia para os homens se protegerem da própria insegurança, da sua solidão face ao Universo e da falta de respostas que a ciência ainda não lhes podia proporcionar. Por isso os antigos buscavam respostas na crença de seres intangíveis. Eles chamavam essa construção de Catedral.
A criança ficou olhando para o pai, enquanto ele fazia descrições da construção em ruínas. O que mais chamou a atenção da criança foi o fato de os antigos usarem unidades chamadas tijolos. Afinal, era mais fácil preparar um domo. Bastava escolhe um local e inflar.
O pai estendeu a mão para o filho e viraram-se em direção a outro monumento histórico. Era, também, uma construção de tijolos, que se erguia muito alta, vertical e cônica.
- E isso aí, pai, para que servia?
Quando o homem ia iniciar a explicação, ouviram o alarme colocado no pulso da criança. Era a hora da alimentação. Ele aguardou que o filho abrisse a pequena caixa plástica que havia tirado do bolso, afastasse por instantes a máscara e colocasse o pequeno comprimido na boca. O pai esperou que o filho deglutisse seu alimento e continuou a falar:
- Esse tubo, de algum modo, ajudava na obtenção de um gás. Os antigos convertiam esse gás em energia. A população recebia o gás através de condutos subterrâneos até suas casas e fábricas. Eles o queimavam para obterem calor. Agora, meu filho, mós obtemos a energia através de minúsculas pilhas atômicas colocadas nos domos. Embora corramos algum perigo, custa pouco e por isso, vale corrermos o risco, segundo afirma o Grande Conselho.
Os dois ficaram olhando para a antiga construção por alguns instantes, até que a criança se manifestou.
- Pai, estou cansado. Acho que caminhamos demais...
O homem passou a mão sobre a cabeça do filho, num gesto puro de carinho.
- Também penso a mesma coisa, meu filho. Ainda temos bastante oxigênio. Vamos abrir as válvulas dos reservatórios até atingirmos 760 mm de pressão. Isso irá nos reanimar um pouco mais. Ao mesmo tempo, acionaram as válvulas.
- Pai, vamos mais para a direita. Eu quero olhar mais de perto aquela construção circular, lá adiante.
- Eram nessa construção que os antigos praticavam esportes. Isso era na época em que o ar não era rarefeito e o corpo humano não possuía as limitações que temos hoje. Essa construção abrigava milhares de pessoas para assistirem a uma disputa.
Ao final da descrição. De mão dadas, os dois foram se afastando lentamente, até alcançarem as esteiras rolantes que os levaria até a estação do tubo transportador. Já na esteira, a criança fez mais uma indagação.
- O que era isso aqui, antes se tornar o Grande Deserto?
- Não sei. O melhor será consultarmos o nosso terminal de dados lá no domo.
Quando retornaram, a criança dirigiu-se rápido para o compartimento onde estava instalado o terminal e digitou:
- Ajuda;
- Dados Históricos;
- Grande Deserto: Nome de Origem;
Passaram aproximadamente dois minutos e a resposta surgiu no centro do écran.
.............. RIO GUAÍBA ..............

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

MANIFESTO ECOLÓGICO PELO AQUERENCIAMENTO PLANETÁRIO

Trata-se de outro texto enviado pela jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues, Assessora de Imprensa da Agapan/RS aagues@via-rs.net, para contribuir com nossa pesquisa sobre as orígens do moviemto ecológico em Porto Alegre. Veja também o blog da AGAPAN: agapan.blogspot.com .

MANIFESTO ECOLÓGICO PELO AQUERENCIAMENTO PLANETÁRIO
Temos na paisagem do Pampa riograndense um pássaro chamado quero-quero, que é considerado a sentinela do Pampa. O quero-quero, diferentemente de outras aves, faz os seus ninhos no chão, vivendo a maior parte do tempo em contato com a terra e apegado ao lugar onde vive. A este lugar em que o quero-quero, outros bichos e o próprio homem costumam ficar, no linguajar gaúcho nós chamamos de “querência”. Em português esta palavra se reporta ao verbo querer. A querência é um lugar que tem uma vontade, um querer originário, conforme a própria etimologia da palavra indica. Mas não é um querer isolado e separado do homem, dos animais e das plantas que ali vivem. O querer da querência requer o querer de tudo o que ali vive, de tudo o que pertence ao lugar, inclusive a paisagem. Ser apegado a um determinado lugar é ser aquerenciado. O processo de se apegar a um lugar se expressa com o verbo “aquerenciar”. Ser aquerenciado significa também estar de bem com a vida, estar na posse da plenitude do sentido da vida. Na sabedoria do homem do campo aqui do sul do Brasil, da Argentina e do Uruguai, do gaúcho, a felicidade é o próprio sentido de pertencer a um lugar. A querência é a intimidade com a natureza e com as coisas do local em que se vive. É ser parte das histórias das pessoas, dos animais e das plantas de um lugar. É ter a própria identidade pessoal, a própria história individual, inseparável de toda a teia destas histórias. É estar em casa no mundo. Por outro lado a pessoa que é infeliz, que não encontrou o seu lugar no mundo, que está de mal com a vida, é “desaquerenciada”. A pessoa desaquerenciada não tem paradeiro fixo, vive inquieta, sempre a procura de um outro lugar, insatisfeita, angustiada, no estado de carência, de falta. Na perspectiva da sabedoria gaúcha, o problema ecológico é a humanidade estar desaquerenciada da Mãe Terra, da Pachamama, de Gaia, a suprema morada do homem. O Fórum Social Mundial é a uma tentativa planetária de reaquerenciar a humanidade na Terra. Mas para que isso aconteça, cada ser humano deve ser alerta e vigilante como o quero-quero, deve exercer a sua condição de cidadania planetária defendendo a Terra e a Humanidade em cada local onde vive. Cada cidadão do mundo pode se inspirar no exemplo da sentinela do Pampa: ao pressentir a aproximação de um perigo, ele dá o alarme, começa a gritar o canto que deu origem ao seu nome e a fazer investidas contra o intruso através de vôos rasantes.

Para nós, ecologistas gaúchos,o quero-quero é o símbolo da soberania política e da cidadania planetária que o movimento ecológico gaúcho vem ajudando a instaurar no mundo em busca do equilíbrio e da sustentabilidade. Como o quero-quero, os ecologistas gaúchos através da ação de pioneiros como o Padre Balduíno Rambo, Luís Henrique Roessler, José Lutzenberger e outros, começaram a chamar a atenção do Brasil e do mundo para o perigo e a




inviabilidade ecológica da cultura ocidental. A hegemonia mundial do modelo civilizatório ocidental, antropocêntrico e eurocêntrico, é inseparável dos processos de dominação ecocidas e etnocidas do colonialismo e do neo-colonialismo promovidos pelos países do Hemisfério Norte.

Fundada em plena ditadura, sob a vigilância dos órgãos de informação e de repressão do regime militar no Brasil, a AGAPAN, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e seus ativistas correram riscos ao colocar em prática o lema inaugural do movimento ambientalista: “Pensar globalmente e agir localmente”. Como o coração da terra pulsando na batida do “bombo legüero” que atravessa as léguas da planura pampeana, fomos ouvidos. Numerosas entidades ambientalistas foram criadas, no Rio Grande do Sul, no Brasil e em todo o mundo. Ao longo das décadas descobrimos nas particularidades da cultura camponesa gaúcha as raízes ecológicas da nossa identidade local e regional como dimensões de universalidade. O movimento ecológico gaúcho inaugurou no Brasil uma concepção planetária de cidadania e de soberania constituídas pelo sentido de ser parte do mundo através do cuidado com a natureza e da participação na singularidade da vida em cada local. Para nós o quero-quero simboliza a vigilância ecológica como dimensão constitutiva do sentido da vida e dos fundamentos autopoiéticos da democracia e do poder político.

A cidadania planetária e a dimensão local são constitutivas do movimento ecológico como novo paradigma político. É por isso que a querência e o quero-quero são símbolos universais do horizonte para onde se dirige a caminhada do movimento ecológico em todas as latitudes. O movimento ecológico e o novo projeto de civilização que nós estamos criando, voltado para o equilíbrio, a sustentabilidade, a diversidade cultural e a biodiversidade, baseia-se no paradigma da complexidade e da interdependência. A ecologia abre um novo horizonte de solidariedade que supera e relativiza os valores, visões de mundo, as concepções de política e as ideologias geradas pela cultura ocidental. O paradigma da complexidade não é excludente. O movimento ecológico não é uma luta entre o bem e o mal. E a cultura ocidental é necessária mas, certamente, não suficiente para a superação desta crise planetária.

Nós, povos colonizados pela cultura européia, devemos renovar nossa auto-estima, respeitar e buscar inspiração nos conhecimentos, experiências e valores de outras culturas. Russel Means, índio lakota norte-americano, afirmou: “Cristãos, capitalistas, marxistas, todos eles tem sido revolucionários em suas próprias mentes. Mas nenhum deles propõe realmente a revolução. O que eles propõem mesmo é a continuação.” No caso,a continuação da supremacia do etnocentrismo europeu através da continuação do neocolonialismo no mundo. Um dos mecanismos culturais básicos do neocolonialismo é o eurocentrismo que mina a auto-estima, a autoconfiança e a autodeterminação dos indivíduos e dos povos,

colonizando as nossas mentes com um olhar que desaquerencia e nos coloca fora do mundo e do lugar em que estamos. Este não sentir-se em casa no mundo, esta busca de um ideal de felicidade desaquerenciado da Terra, principal produto de exportação cultural do eurocentrismo, faz com que nos sintamos inferiores, infelizes e dependentes. Significa a própria perda do sentido da vida na sua dimensão ecológica e política. O desaquerenciamento planetário imposto à força pelo neocolonialismo ocidental se alimenta da exclusão e da simplificação demonizante dos conflitos do mundo em nome de um futuro sem presente. Entretanto, o dito “subsesenvolvimento” tem as suas vantagens. Não podemos nos dar ao luxo de adotar o modelo de um projeto de civilização insustentável e inviável, ecocida e etnocida. Nós, povos do hemisfério sul, não temos nem necessidade e nem as condições de repetir os mesmos erros que culminam na sociedade de consumo como ideal de civilização. Efetivamente, com toda a nossa “miséria” e nossa “pobreza”, temos patrimônios naturais e culturais que nos colocam muito mais próximos da sustentabilidade ecológica e da plenitude do sentido da vida do que nossos irmãos do Norte. Na realidade,é o Hemisfério Norte que precisa do Hemisfério Sul e não o contrário .

O caminho para a sustentabilidade ecológica passa pela superação do neocolonialismo dos povos do Hemisfério Norte sobre o Sul e pela criação de uma ordem política internacional de fato solidária. Mas a superação desta condição exige a resignificação de todas as instituições sociais do mundo dito “civilizado” a luz do paradigma ecológico e democrático, bem como a efetivação da soberania dos Estados-Nação em todo o mundo. Hoje temos Estados sem legitimidade ou sem soberania atuando como enclaves nacionais a serviço do neocolonialismo. Para tanto é necessário a intensificação de Redes de Solidariedade que atuem nacionalmente contra egoísmo dos Estados-Nação a serviço das companhias transnacionais com suas imposições no campo tecnológico, econômico, político e cultural. A mobilização internacional contra o patenteamento dos seres vivos, a transgenia, a destruição das florestas tropicais, a diminuição da biodivesidade, as mudanças climáticas, a poluição dos oceanos e da estratosfera e todos os problemas ecológicos de âmbito planetário, bem como a recusa das intervenções nas soberanias nacionais por parte de instituições tais como o FMI , a OMC, a ALCA, o BANCO MUNDIAL entre outras, são, hoje, o campo de exercício da cidadania planetária em todas as querências.

A realização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre é um acontecimento que evidencia a força e a legitimidade planetárias do poder local, mostrando a verdade do lema do movimento ecológico: “Pensar globalmente e agir localmente”. O FSM pode ser pensado como uma revoada de quero-queros que espalha pelo mundo o grito de alerta para o aquerenciamento da humanidade no seio da Mãe Terra.


Texto: AGAPAN, entidades que apóiam, CEA - Centro de Estudos Ambientais, Movimento Roessler de Defesa Ambiental, e Núcleo dos Ecojornalistas do Rio Grande do Sul - NEJRS. Fórum Social Mundial - Porto Alegre, janeiro de 2003.

AGAPAN - UMA HISTÓRIA DE LUTA PELA VIDA

Texto enviado pela jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues, Assessora de Imprensa da Agapan/RS aagues@via-rs.net

A AGAPAN surgiu no dia 27 de abril de 1971, em Porto Alegre.
Naquela época, poucos no mundo, entendiam e pensavam os problemas que estavam acontecendo com a natureza. Quase ninguém sabia o que era a poluição. As fábricas jogavam e ainda jogam venenos na água dos rios, que além de matar os peixes, também sujam a água que bebemos. Além disso, muitas pessoas pensavam que cortar árvores não causava nenhum problema.
Foi por isso que pessoas como José Lutzenberger e Augusto Carneiro resolveram se reunir e formar um grupo que passou a se chamar AGAPAN - ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE PROTEÇÃO AO AMBIENTE NATURAL. Esta associação começou a ficar conhecida porque sempre que acontecia algum problema com a natureza ou alguém querendo cortar alguma árvore nativa, lá estava a AGAPAN chamando os jornalistas para que mais e mais pessoas soubessem do fato.
Um dia, a Prefeitura de Porto Alegre daquela época, queria cortar muitas, mas muitas árvores na Avenida João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da UFRGS, para construir um viaduto. O pessoal da AGAPAN ficou sabendo e foi para lá. Um deles, o Carlos Dayrell, estudante de 21 anos subiu bem no alto de uma das árvores que iria ser cortada e disse: "Eu não saio daqui!... ninguém vai cortar esta árvore coisa nenhuma!..." Os jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas registraram o Dayrell na árvore.E no dia seguinte muitas pessoas ficaram sabendo do ocorrido, através das notícias de jornais ,televisão e rádio. O prefeito ficou apavorado com tanta gente contra o corte das árvores, que desistiu da idéia. Até hoje aquelas àrvores existem, graças a este fato.
Quando chegava a primavera, Porto alegre era muito feia e triste. As árvores não floresciam. Por quê? Todo o ano lá estava a Prefeitura cortando, podando muitos galhos delas. Aí, não tinha jeito. As flores que estavam quase brotando, pimba, morriam! Lá estava a AGAPAN conversando com o prefeito, vereadores...e, conseguiu fazer uma lei contra a poda indiscriminada das árvores.
Hoje existe primavera florida em Porto Alegre. As árvores, os pássaros e nós agradecemos!
Quando as pessoas de outros lugares vinham visitar a nossa cidade, logo que chegavam tinham que tapar o nariz de tão fedorenta. Aí, diziam: ah! É o cheiro da Borregard. È que a Borregard era uma fabrica de papel que existe até hoje, do outro lado do Lago Guaíba na cidade de Guaíba. Mudou de nome para Riocell e agora para Aracruz celulose. Esta fábrica, para fazer o papel e ganhar muito dinheiro, sujava e ainda suja a água com venenos para o papel ficar branco.Estes venenos eram despejados na água do Guaíba sem tratamento e, a fumaça que saia da sua chaminé era muito fedorenta. O pessoal da AGAPAN falou com o governador do nosso estado e a fábrica foi fechada por 120 dias.
Mais uma vitória para os peixes, pássaros e para nós humanos. Claro, a fabrica reabriu, mas as chaminés aumentaram de tamanho para disfarçar um pouco o cheiro.
Hoje, as pessoas de bem, sabem que as verduras, legumes e frutas ficam mais felizes se forem plantadas com adubo orgânico feito em composteira.
Entretanto muitas pessoas plantam estes alimentos adubados com venenos, chamados agrotóxicos. Eles usam esta técnica para apressar o desenvolvimento da planta e matar os bichinhos que existem na terra e que são necessários para o crescimento saudável desses alimentos.
A AGAPAN lutou muito e conseguiu aprovar a Lei Estadual dos Agrotóxicos, que proibiu o uso de alguns venenos na agricultura do nosso estado.
Enfim a AGAPAN conseguiu ser conhecida porque as pessoas começaram a acreditar que a natureza precisava de ajuda.
Nestes anos todos sempre pagamos aluguel pelo espaço onde está localizada a sede da AGAPAN. Agora, conseguimos um pequeno terreno e, já estamos começando a construir, com a ajuda de muitas pessoas, a sede própria. Vai ser bem legal, toda diferente!
Para isto estamos lançando o site http://www.agapan.org.br/, que ajudará a manter informadas as pessoas que acreditam nesta causa.
E, nestes 36 anos de existência da AGAPAN sempre foi assim: cada um que chega ajuda um pouco, sem ganhar nenhum dinheiro em troca. Todos sempre trabalham acreditando que um mundo melhor é possível e, que a vida está sempre em primeiro lugar.

Porto Alegre, 2007

Eleara Manfredi

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

AGAPAN - UMA PIONEIRA NA DEFESA AMBIENTAL EM PORTO ALEGRE

Visite o Blog da Agapan, uma entidade pioneira no movimento ecológico em Porto Alegre
http://agapan.blogspot.com/2008_07_01_archive.html

Conheça um pouco mais sobre a história do movimento ecológico neste jornal do Simpro RS
http://www.sinpro-rs.org.br/extraclasse/mai06/ideias.asp

Mais uma pérola. Não deixe de ler as entrevistas como a de Magda Renner, uma das lutadoras no início do movimento ecológico.
http://roessler.org.br/historico/

E sobre o guru de todos os ambientalistas de Porto Alegre
http://www.klepsidra.net/klepsidra25/ambientalismo.htm

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Projeto de Eduação Ambiental é debatido e professores apresentam propostas de ação

O projeto de Educação Ambiental vem sendo debatido pelos professores dos três turnos de trabalho da Escola, tanto nas reuniões pedagógicas de Ano-Ciclo, como nas reuniões de Totalidades da EJA.
Os objetivos do projeto e as atividades propostas estão em processo de construção, mas algumas sugestões já foram apontadas e aprovadas tanto por professores da EJA, como pelo grupo de C20 e C30. Nos próximos dias novas contribuições serão divulgadas.

APRESENTAÇÃO:
Nosso planeta passa por transformações climáticas e ambientais causadas pela maneira como a nossa espécie interage com ele. Essas mudanças climáticas provocam alterações na qualidade de vida de inúmeras comunidades (1).
A população humana está crescendo em um ritmo explosivo, criando demandas de matéria e energia sobre o planeta, que, ao mesmo tempo em que precisa suprir esses recursos, é obrigado a resolver os problemas causados pela poluição gerada por nossos processos industriais e domésticos.
Vivemos em um mundo globalizado pelo elevado poder das novas tecnologias, principalmente as de comunicação. As novas tecnologias trouxeram avanços tremendos em várias áreas, facilitando nossa vida e permitindo o crescimento populacional que experimentamos. No entanto, essas novas tecnologias, combinadas com nossa população tão numerosa, nos tornaram, coletivamente, uma força da natureza (2), capaz inclusive de causar danos irreparáveis ao planeta e ameaçar, paradoxalmente, nossa própria continuidade como espécie e a continuidade da existência de vida sobre o planeta.
A atmosfera da Terra é uma camada tão delgada e frágil, que a atividade humana pode alterar significativamente sua composição. Os estudos científicos têm demonstrado que nos últimos anos a concentração de CO2 (Gás Carbônico) –o mais importante dos gases causadores do efeito estufa - tem aumentado significativamente, atingindo níveis nunca antes alcançados. Esse gás é liberado em todos os processos de combustão que alimentam a atividade industrial moderna e também nas queimadas de florestas para liberação de áreas para plantio de alimentos.
Além das causas e conseqüências do aquecimento global devemos nos preocupar com outras formas de agressão ao meio ambiente, como o uso inadequado do solo, a poluição dos recursos hídricos, a poluição do ar, o destino do lixo e com a busca de alternativas de preservação do ambiente e de vida mais saudável.


JUSTIFICATIVA:
Este projeto tem um nítido caráter pedagógico. Busca levar os alunos e toda comunidade escolar a vivênciar experiências de reflexão sobre as questões ecológicas e os desafios para a construção de um mundo sustentável.

OBJETIVOS GERAIS:
1- Desenvolver uma consciência histórica, ética, científica e totalizante do atual estágio de degradação do ambiente no planeta;
2- Incentivar estudos interdisciplinares e a construção de conhecimentos integrados e abrangentes sobre a vida no planeta;
3- Experienciar a teoria de Gaia, segundo a qual tudo está interligado, como concepção de mundo e metodologia pedagógica;
4- Provocar tomadas de consciência e mudanças de atitudes individuais e coletivas visando à criação de hábitos que não agridam o ambiente.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
1. Aplicar, nas diferentes áreas do conhecimento, conceitos e procedimentos voltados para a educação ambiental;
2. Proporcionar o desenvolvimento da criatividade dos alunos, através da realização de trabalhos e projetos de pesquisa integrados;
3. Elaborar propostas práticas relativas à preservação ambiental – escola e comunidade;
4. Sensibilizar os estudantes para questões ambientais locais e mundiais, buscando um maior comprometimento com o destino da cidade e, conseqüentemente, do planeta;
5. Compreender o fenômeno do aquecimento global como decorrente da ação humana e conseqüência de atitudes tomadas no passado próximo e no presente;
6. Compreender que o homem, pelo atual estágio de desenvolvimento tecnológico, tem condições de mudar o clima do planeta e isso trás como conseqüência mudanças na qualidade de vida das populações;
7. Compreender que a reversão da tendência de aquecimento global depende de atitudes globais, coletivas e internacionais, mas também cotidianas e individuais;
8. Compreender a existência de poderosos interesses econômicos, políticos e estratégicos que influenciam as tomadas decisões internacionais, nacionais e corporativas nas questões referentes ao enfrentamento das causas do aquecimento global;
9. Compreender a importância do diálogo para formação de indivíduos conscientes e participativos, capazes de contribuir para um mundo melhor.
10. Trabalhar harmonicamente o corpo e a mente, buscando uma melhor qualidade de vida dos indivíduos, compreendendo que esta qualidade só pode ser buscada em meio ambiente sadio, de convivência pacífica e integrado à natureza, buscando cada vez mais o processo de conscientização da preservação do planeta em que vivemos;
11. Identificar o período histórico e o contexto em que surgiram os movimentos ambientalistas mo mundo;
12. Acompanhar a forma como esses movimentos evoluíram, os avanços conquistados em suas lutas ambientais, os impasses ainda não superados e os novos desafios que se colocaram.

ATIVIDADES PROPOSTAS:
1. Assistir e debater filmes sobre o tema aquecimento global, tais como “Uma verdade Inconveniente” de All Goore e “Mudança de Clima, Mudança de Vidas” do Greenpeace;
2. Criar um blog de cada aluno na internet, onde possam ser registrados os seus pensamentos, as pesquisas e atividades do projeto Meio Ambiente e outras relacionadas aos assuntos tratados em sala de aula;
3. Realizar exposição de cartazes elaborados pelos alunos sobre o tema aquecimento global no saguão da Escola;
4. Realizar visita orientada ao Lago Guaíba, navegando no barco Martim Pescador, buscando maior conhecimento e valorização deste corpo d’água para a nossa cidade;
5. Realizar visita orientada ao Jardim Botânico no segundo semestre, levando os alunos a conhecer e se apropriarem deste importante espaço público de lazer, preservação e pesquisa da cidade.
6. Apreciar, refletir e representar a paisagem natural de Porto Alegre, reconhecendo e transformando as intervenções culturais;
7. Incentivar a coleta seletiva do lixo escolar, identificando a importância deste processo e sua contribuição para a preservação do ambiente, aumento da qualidade de vida da população e fonte de renda de famílias da comunidade.

BIBLIOGRAFIA:
1- Greenpeace – Mudanças de Clima, Mudanças de Vidas (Documentário em DVD).

2 - Gore, Albert. Uma Verdade Inconveniente – O que devemos saber (e fazer) sobre o aquecimento global/Al Gore : [tradução Isa Mara Lando]. Baruri, SP: Manole, 2006.

sábado, 12 de abril de 2008

Projeto "Meu Ambiente" levará alunos a navegar no Guaíba

Projeto elaborado pelos professores da EJA/Pasqualini tem por objetivo levar os alunos a vivenciar experiências em educação ambiental como forma de desencadear ações educativas relacionadas à preservação do meio ambiente. Essa foi a forma encontrada de participar do Projeto de Educação Ambiental em desenvolvimento na escola.
OBJETIVO GERAL DO PROJETO:
Proporcionar vivências de educação ambiental para desencadear projetos nas diferentes totalidades.
AÇÕES PROPOSTAS:
Criar um blog para cada aluno relatar as atividades do projeto;
Campeonato interno de robótica com o tema "Energias Alternativas";
Efetivação da separção e recolhimento do lixo escolar;
Oficina de teatro;
Fanzine da EJA / Jornal Mural;
Palestras, filmes e debates.

O que são WEBQUESTS?

O que são WEB QUESTS? Confira abaixo uma apresentação de slides que mostra o que são e como podem ser utilizadas em projetos pedagógicos na internet.
Webquest
From: marciacs, 4 months ago

Webquest
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Fazer uma webquest, passo a passo.

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